Organização dos serviços de saúde

A criação do SUS e a implementação do Programa de Saúde da Família em todo o território nacional demandaram mudanças na organização hierárquica e administrativa dos serviços de saúde oferecidos pela rede pública.
O modelo hospitalocentrico, que privilegiava o uso de tecnologias duras (como instrumentos para a realização de exames laboratoriais complexos ou de imagem) e leves-duras (como o conhecimento sobre fisiopatologia que o médico adquiriu durante sua formação) teve de ceder lugar a uma modelo de redes poliarquicas de acesso à saúde. A atenção primária à saúde não é apenas uma porta de entrada para se conseguir alcançar níveis de atenção à saúde de maior complexidade; ela compõe, juntamente com a atenção secundária e terciária, os serviços de urgência e emergência nos diversos níveis, e as atividades de vigilância sanitária e epidemiológica, uma rede completa, que visa oferecer atenção integral aos pacientes, tanto em seu aspecto individual quanto social.
Tendo em vista a insustentabilidade do modelo de saúde prescritivo, centrado na doença que o paciente apresenta como queixa principal, e motivo único da realização de sua consulta, mostrou-se necessária a implementação de um sistema de atenção colaborativa, que privilegiasse o uso das tecnologias leves (centradas no desenvolvimento da relação médico – paciente). O indivíduo não é visto como portador de uma moléstia a ser curada pela prescrição de um medicamento ou procedimento, mas como sujeito ativo na construção de sua própria saúde, de forma integrada com a equipe de saúde multiprofissional, a família e a comunidade.

Este modelo coaduna-se à organização poliarquica dos serviços de saúde, bem como ao perfil de doenças atual, descrito pela transição epidemiológica, em que há maior morbi-mortalidade decorrente de doenças crônicas, e não infecto contagiosas, como se via a algumas décadas. Para este perfil, não é adequada a realização apenas de consultas emergenciais, com médicos que não conhecem o paciente e estarão apenas atentos a seus sinais e sintomas momentâneos. O ideal é a realização do acompanhamento do paciente a longo prazo, com o agendamento de consultas com antecedência junto ao serviço de saúde da família, com a periodicidade necessária para cada situação em específico, a fim de manter a condição de saúde do indivíduo estável, sobre monitoramento, e permitir um trabalho colaborativo entre ele e a equipe multiprofissional. 

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